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Estudos Bíblicos

Espírito de Leviatã no Louvor: 4 Sintomas do Orgulho e Como Vencê-lo

Por Ricardo e Evelin Maciel · Publicado em 10 de novembro de 2023

Atualizado em 21 de outubro de 2026

Um terrível dragão simbolizando satanás

“Revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” (1 Pedro 5:5)

As investidas do orgulho de Leviatã têm sido um dos mais difíceis desafios da Igreja atualmente. O mundo vem implantando seu sistema de governo em favor do egocentrismo, manipulando as pessoas para a busca do amor-próprio, do pedantismo, da soberba e do orgulho.

Este mecanismo diabólico tem assolado grande parte dos líderes eclesiásticos, principalmente os músicos e ministros de louvor. Trata-se da essência “luciferiana”, originada quando os sentimentos de orgulho e soberba de Lúcifer foram expostos, ao desejar ser igual ao Altíssimo. Meditemos em como este espírito age e no caminho bíblico para vencê-lo.

O perfil de Leviatã infiltrado nas igrejas

É importante entendermos, pelas Escrituras, as características de Leviatã, pois elas norteiam o ensino sobre os mecanismos de influência maligna contra os servos do Senhor. Lúcifer, que era um perfeito tangedor de Deus, reconhece que o mal originado em seu coração foi o princípio de sua aniquilação. Por isso, ele busca infiltrar este mal, furiosamente, nos tangedores de Deus aqui na terra.

O sistema babilônico vem implantando conceitos e ideologias nas culturas há muito tempo, incentivando a projeção humana dentro e fora das igrejas. Hoje percebemos armadilhas que incentivam a publicação equivocada de louvores nas mídias sociais, com o objetivo de promover mais o músico do que Cristo.

Além disso, alguns templos foram projetados com layouts arquitetônicos semelhantes aos conceitos greco-romanos, e os altares foram se ajustando com aparência de plataformas de apresentação.

Vale frisar que o altar do templo descrito em 2 Crônicas 4:1 tinha o propósito de oferecer sacrifícios aprazíveis ao Senhor. Este princípio permanece: devemos nos apresentar inteiramente como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12:1), oferecendo louvores e o fruto dos lábios que confessam o nome de Jesus (Hebreus 13:15). Para evitar a infiltração do orgulho de Leviatã, este princípio deve ser mantido com foco unicamente nos sacrifícios ofertados ao Senhor, sem alegorias ou adaptações humanas que ofusquem a vontade original de Deus.

Um modelo de adoração para resistir a Leviatã

Quanto ao ofício dos levitas diante do altar, todos os cantores e instrumentistas estavam posicionados em pé, ao oriente do altar (2 Crônicas 5:12), mantendo a distância adequada para não desviar o foco do povo no momento dos sacrifícios. Deus se agradou tanto deste zelo que fez do templo a Sua morada, enchendo o ambiente de glória:

E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário (porque todos os sacerdotes, que ali se acharam, se santificaram, sem respeitarem as suas turmas, e os levitas, que eram cantores, todos eles, de Asafe, de Hemã, de Jedutum, de seus filhos e de seus irmãos, vestidos de linho fino, com címbalos, com saltérios e com harpas, estavam em pé para o oriente do altar; e com eles até cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas). E aconteceu que, quando eles uniformemente tocavam as trombetas, e cantavam, para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao Senhor; e levantando eles a voz com trombetas, címbalos, e outros instrumentos musicais, e louvando ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre, então a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a casa do Senhor; E os sacerdotes não podiam permanecer em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus. (2 Crônicas 5:11-14, grifo nosso).

Infelizmente, a instrução divina sobre o princípio do altar foi sofrendo transformações humanas por influência do sistema babilônico, principalmente do orgulho de Leviatã. De um lado, o povo deixou de dar importância ao seu sacrifício e passou a dar mais atenção aos músicos e ministros. Do outro, músicos e ministros permitiram este desvio e foram entorpecidos pela serpente, atraindo para si uma notoriedade além do que lhes foi designado.

Estas ardilosas influências são iscas para aguilhoar servos e ministros de louvor que não estão totalmente firmados em Deus e que, aos poucos, são levados ao caminho do orgulho e da soberba. Como identificar que este sistema está influenciando os corações?

4 sintomas que indicam a presença de Leviatã

1. Quando a performance tem mais importância do que a adoração

Um músico disciplinado tende a buscar a perfeição: dedica tempo aos ensaios e aperfeiçoa o talento recebido do Senhor com cursos e técnicas. Isso é louvável! Contudo, é preciso cuidado para que a criação não se torne um símbolo de idolatria, com o foco na apresentação carregada de vaidade, longe do princípio de oferecer um coração quebrantado para agradar ao Senhor. Agindo assim, o músico perde o perfil de adorador e se torna apenas um artista musical.

2. Quando as ministrações são pautadas pelas tendências do mercado gospel

Muitos músicos e ministros passaram a ministrar ou compor para atender às necessidades do público, satisfazer seus gostos ou seguir tendências de sucesso, sem se preocupar se o conteúdo agrada ao Senhor. Este comportamento vem de um mecanismo do sistema babilônico: a “febre” de seguir e ser seguido nas redes sociais, que incentiva a busca desenfreada por popularidade e o compartilhamento de ideias muitas vezes nada construtivas.

Isto desvirtuou muitos tangedores, ao contrário dos salmistas do Antigo Testamento, que expunham em seus cânticos seus sentimentos reais e sinceros diante de Deus, com fidelidade às Escrituras e certeza de um Deus fiel, que receberia seu louvor como perfume suave. Os salmistas não buscavam a aprovação das pessoas, mas o desejo único de ofertar algo aprazível a Deus.

3. Quando prefere o louvor em público ao tempo de adoração no secreto

Antes de assumir o trono, Davi apascentava as ovelhas de seu pai, louvando ao Senhor. Em Salmos 89:20 vemos Deus “achando” Davi neste lugar secreto, o que também é lembrado em Atos 13:22. Em 1 Samuel 16:18-19, Davi exercia a habilidade que Deus lhe deu em suas atividades particulares: tinha uma vida estruturada em Deus, e seu louvor era admirável antes mesmo de ser conhecido pelo rei Saul.

A adoração no secreto deve trazer satisfação plena, e a adoração pública deve ser a continuação da vida privada. Deus precisa primeiro nos “achar” no secreto antes de nos enviar para servir. A falta de preparo íntimo torna os ministros vulneráveis e inverte os valores: o músico dá lugar ao orgulho de Leviatã e troca a aprovação de Deus pelos aplausos.

4. Quando resiste às correções e orientações vindas da liderança

Uma das características do soberbo é confrontar ideias e decisões contrárias às suas convicções, como testificou Salomão: “vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria” (Provérbios 11:2). A soberba e o orgulho dão à pessoa uma sensação de superioridade e uma falsa sabedoria, que a Bíblia chama de ser “sábio a seus próprios olhos”, gerando falta de temor ao Senhor e aproximação da maldade (Provérbios 3:7).

Na área da música, a humildade é escassa, mas é uma virtude essencial, como destacou Pedro:

Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes… Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; (1 Pedro 5:5, 8, grifo nosso).

Estar sujeitos uns aos outros e revestidos de humildade nos permite lançar fora a soberba e o orgulho e alcançar a graça do Senhor. Isso evita que o inimigo encontre brechas para levar pessoas ao caminho da rebeldia. O profeta Isaías proclamou:

Ai dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado; Que descem ao Egito, sem pedirem o meu conselho; para se fortificarem com a força de Faraó, e para confiarem na sombra do Egito. Porque a força de Faraó se vos tornará em vergonha, e a confiança na sombra do Egito em confusão. (Isaías 30:1-3, grifo nosso).

Não seja sábio aos seus próprios olhos

Quem é “sábio aos próprios olhos” está cheio de convicções contrárias às diretrizes do Reino, pautadas em conceitos egípcios (seculares) e influenciadas pelo sistema babilônico. Isso ocorre em diversas áreas, principalmente na musical. O músico ou ministro de louvor deve reconhecer que este ministério requer separação e consagração das coisas que não pertencem ao Reino de Deus.

O orgulho no coração gera falta de temor ao Senhor, e o músico deixa de ter critérios em seus estudos, usando quaisquer referências musicais, seculares ou não, sem se preocupar se agradam ao Senhor. Paulo abordou amplamente esta separação:

E digo isto, e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade da sua mente. Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração; Os quais, havendo perdido todo o sentimento, se entregaram à dissolução, para com avidez cometerem toda a impureza. Mas vós não aprendestes assim a Cristo, Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. (Efésios 4:17-24, grifo nosso).

Toda fonte de conhecimento deve ser tratada com temor a Deus, para não sermos levados pelas concupiscências do engano. Salomão afirmou que “o temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução” (Provérbios 1:7). Portanto, as fontes devem ser examinadas com diligência.

Na cultura judaica, Leviatã é retratado como um réptil que habita nas profundezas do abismo. As características deste principado são coerentes: como réptil, ele age de forma silenciosa, habitando sorrateiramente no íntimo do ser humano. Para combatê-lo, é necessário reconhecer que ele habita dentro de nós. O apóstolo Luiz Hermínio (2019) descreve que “precisamos conhecer o que temos que arrancar, destruir e arruinar, para depois entender o que temos de plantar e edificar”: primeiro derrubamos a soberba e o orgulho, depois edificamos santidade e humildade.

Vencendo o orgulho ao ser semelhante a Jesus

Sim, é necessário descer ao abismo onde Leviatã habita, nas profundezas do nosso coração. “Descer” significa humilhar-se, e o caminho da humilhação é o único tratamento para derrotar o orgulho e a soberba. Jesus morreu, desceu ao inferno e resgatou a chave que estava em posse da morte, para depois ressuscitar. Da mesma maneira, é necessário que o nosso velho homem morra, para resgatarmos a chave da libertação e trilharmos uma nova história.

Existe uma alegria natural quando cumprimos uma missão em Cristo Jesus, e isso não é orgulho: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho de nossa consciência diante de Deus” (2 Coríntios 1:12). John Wesley, em carta a Philothea Briggs em 1771, afirmou:

Igualmente natural e inocente é a alegria que sentimos por sermos aprovados por aqueles a quem amamos. Mas, em todos estes casos há necessidade do máximo cuidado para que não passemos gradativamente da alegria inocente ou da auto aprovação para aquilo que não é inofensivo, para o orgulho (pensando de nós mesmos, além do que convém) ou vaidade, um desejo de elogios; pois “uma fina separação divide suas fronteiras…”. Seja tudo com sinceridade. (Potts, 1991).

Temos uma natureza limitada e frágil, sujeita a danos na alma. Ao reconhecermos esta fragilidade e a depositarmos aos pés da cruz, somos alcançados pela misericórdia do Senhor, que nos auxilia na caminhada e nos instrui a vencer o orgulho e a soberba que diariamente tentam nos tragar.

A lição do avivamento no País de Gales

O avivamento no País de Gales deixou lições valiosas aos músicos e ministros de louvor para estes últimos dias, conforme relata Joyner:

Havia solistas, duetos e cantores especiais durante o avivamento, mas eles raramente anunciavam onde se apresentariam. Às vezes, eles chegavam a certos lugares esperando cantar, mas o Espírito tinha outros planos, e eles ficavam quietos ou somente oravam. Aqueles que testemunhavam tais ministérios afirmavam que, quando eles cantavam, era o Espírito Santo que atuava. Esse foi o avivamento no qual o próprio Senhor Jesus Cristo era o centro das atenções e a atração principal. (Joyner, 2018, grifo nosso).

Estes ministros não se preocupavam com publicidade: estavam desprovidos de orgulho e tinham um coração puro, aptos a entender a plena vontade do Senhor. Da mesma maneira, os ministros do altar precisam hoje entrar neste ambiente de intimidade e humildade, certos de que Deus os projetará para uma obra perfeita no tempo oportuno.

Segundo Murray (1994), “àqueles que buscam e professam a santidade, a humildade tem de ser a marca principal de sua retidão”, pois o orgulho é a sua antítese, destinada à profanação e uma das marcas da apostasia. Murray acrescenta que “essa humildade não é algo que virá por si mesma, mas deve ser feita o objeto de especial desejo, e oração, e fé e prática”. Somente assim toda barreira levantada por Leviatã cairá.

Perguntas frequentes

O que é o espírito de Leviatã?

É o principado associado ao orgulho e à soberba, a essência “luciferiana” de querer ser igual ao Altíssimo. Ele age de forma silenciosa no íntimo do coração.

Como saber se o orgulho está dominando meu ministério?

Alguns sinais: a performance vale mais que a adoração, as ministrações seguem o mercado, o louvor público substitui o secreto e há resistência às correções da liderança.

Como vencer o orgulho no louvor?

Pelo caminho da humilhação: vida de adoração no secreto, sujeição uns aos outros e busca deliberada da humildade em oração, fé e prática (1 Pedro 5:5).

Descer para ser exaltado

O orgulho de Leviatã só é vencido quando descemos às profundezas do próprio coração em humilhação diante de Deus. Quem tem recebido a glória do seu louvor: você ou o Senhor?

As informações deste artigo foram extraídas do livro “Prélio dos Cânticos – aos santos: santifiquem-se mais!”. Se você já adquiriu e foi edificado por este livro, incentivamos que compartilhe com outros ministros do altar. Para se aprofundar, leia também Imoralidade e Ganância na Música e Jubal e a Origem da Música.

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Se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? (1 Co 14:8)

Sobre os autores

Ricardo e Evelin Maciel

Ricardo e Evelin Maciel são um casal dedicado ao ensino da Palavra e ao louvor, servindo ao Reino de Deus por meio de livros, estudos e do canal Vozes de Trombeta.

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