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Infrassom na Música: Os Efeitos Ocultos das Ondas que Não Ouvimos

Por Ricardo e Evelin Maciel · Publicado em 27 de novembro de 2023

Atualizado em 21 de outubro de 2026

Um Fone de ouvido com onda sonora no centro

As ondas sonoras são medidas em hertz (Hz), que expressam a quantidade de ondulações por segundo. O ouvido humano percebe sons entre 20 hertz e 20 quilohertz. As frequências fora deste intervalo são chamadas de ondas infrassônicas (abaixo de 20 Hz) e ultrassônicas (acima de 20 kHz).

O infrassom é inaudível, mas pode ser amplamente sentido no corpo, no sistema nervoso e na mente. Meditemos no que as pesquisas revelam sobre os seus efeitos, em como ele tem sido usado na música e no entretenimento e em como o cristão deve se guardar destas sutilezas.

As profundidades obscuras do infrassom

De acordo com Goodman (2010), experiências com as profundidades obscuras do infrassom de baixa frequência resultaram em situações de pressão densa, vórtices de atração, bacias de imersão e abrasão acústica, vibratória e turbulenta. Trata-se de uma cartografia completa de força sônica, que mobiliza efeitos psicofisiológicos e traz para o campo do poder uma dimensão incontrolável: frequências fora da audibilidade humana que podem estar presentes em diversos contextos musicais, como fonte de prazer, irritação, manipulação, dor e tortura.

Dependendo de como são executadas, tais frequências podem gerar desde a dispersão de manifestantes até comportamentos antissociais, por causa da ponte destas vibrações com o cérebro e o sistema nervoso. Goodman complementa que “as frequências de 7 hertz, por exemplo, coincidem com ritmos pensados para induzir sensações de medo e raiva”.

O infrassom no cinema

Esta prática também está presente em filmes de suspense e terror, para estimular medo, ansiedade e “más vibrações” nos espectadores. Goodman cita o diretor Gaspar Noé sobre o filme “Irreversível”, de 2002: a trilha foi aumentada com infrassom, intensificando o efeito assustador do ambiente ultrajante e a intensa visceralidade do filme. Noé explicou que adicionou o infrassom para assustar os espectadores muito mais pela sensação causada pelo som do que pelo que acontecia na tela.

O sistema nervoso e a mente, afetados por esta “arma” silenciosa, recebem sensações abstratas de ansiedade, mesmo na ausência de uma causa visível. Este mecanismo estimula a imaginação a traduzir tais reações, que podem ser mais assustadoras do que a realidade. Por meio do infrassom, mecanismo imperceptivelmente obscuro, o inimigo busca contaminar a alma das pessoas com uma tática notavelmente destrutiva.

O infrassom no rock e na música trance

Em entrevista à Crawdaddy Magazine (1975), o escritor William Burroughs, conversando com Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, mencionou táticas sônicas para instigar tumultos, inclusive o uso do infrassom como potencial mântrico, com vibrações de baixa frequência para controlar e conduzir a massa durante as apresentações.

Burroughs afirmou que as músicas do Led Zeppelin se assemelhavam à música trance do Marrocos, “mágica” em origem e propósito, isto é, voltada à evocação e ao controle de forças espirituais. Acrescentou que esta mágica, para ser bem-sucedida, precisa explorar fontes de energia oculta, o que pode ser perigoso. Segundo ele, Jimmy Page “se expressou também ciente do poder na concentração de massa, ciente dos perigos envolvidos e da habilidade e equilíbrio necessário para evitá-los”. Falaram ainda sobre magia, Aleister Crowley e como aquele rock “poderia ser visto como uma tentativa de romper o universo sem alma morta e reafirmar o universo da magia”:

Nós conversamos sobre música trance. Ele ouvira o registro de Brian Jones de gravações feitas em Joujouka. Discutimos a possibilidade de sintetizar música rock com algumas das formas mais antigas de música trance que foram desenvolvidas ao longo dos séculos para produzir efeitos poderosos, às vezes hipnóticos, sobre o público. Tal síntese permitiria as formas mais antigas de escapar do molde do folclore e fornecer novas técnicas aos grupos de rock (Crawdaddy Magazine, 1975).

Esta ideia foi compartilhada por muitos na indústria da música no período pós-punk, com o uso de ultrassom e infrassom para manipular o público.

A música trance e o estado de transe

Em geral, as canções trance são de efeito lento e constante e usam infrassons com o propósito de alterar o estado emocional e o pensamento do ouvinte. A tradução literal de “trance” é “transe”, nome que reflete a sua estrutura: batidas repetitivas e melodias progressivas que conduzem o ouvinte a um estado de transe e alienação espiritual.

Cabe destacar que Aleister Crowley inspirou diversos músicos, artistas e escritores da cultura popular britânica e de gêneros musicais em todo o mundo. Suas obras estabeleceram os fundamentos ocultistas do modelo thelêmico, inspirando o desenvolvimento da Wicca (muitas vezes referida como bruxaria) e a ascensão do paganismo moderno, da magia do caos e do satanismo.

Uma força bélica eficaz contra multidões

Existem relatos de que os infrassons são usados por militares desde o século passado, em experimentos para manipular ou conter multidões. Para Parsons (2012), o segredo em torno das armas acústicas letais e não letais e a falta de informações sobre os efeitos de altos níveis de infrassom geraram manchetes dramáticas e até alarmistas, como “As ameaças do som silencioso” (The Daily Mirror, outubro de 1969), “Tumores cerebrais causados pelo barulho” (The Times, setembro de 1973) e “O assassino silencioso em nosso redor” (London Evening News, maio de 1974).

Tais alegações deram origem a rumores que vinculavam o infrassom a doenças e infortúnios inexplicáveis à época, como tumores cerebrais e morte de bebês. Parsons descreve que muitos estudos analisaram os efeitos psicológicos e fisiológicos do infrassom em pessoas expostas a tons puros: as primeiras consequências foram dores de cabeça, cansaço, desconforto físico ou “perturbação”, além de alterações cardiovasculares e respiratórias, como na frequência cardíaca, na pressão e na frequência respiratória.

Os efeitos das ondas de infrassom no corpo e na mente

No sistema auditivo, as alterações mais frequentes foram vertigem e desequilíbrio, sensações intoleráveis, incapacitação, desorientação, náusea e vômito. Outros sintomas dependem da frequência:

  • Entre 5 Hz e 10 Hz: fadiga, apatia e depressão, pressão nos ouvidos, perda de concentração, sonolência e vibração dos órgãos internos.
  • Entre 14 Hz e 16 Hz: diminuição da atenção, alteração na percepção do tempo, apreensão, efeitos visuais, náusea, tontura, depressão, fadiga e dores de cabeça.

Estes estudos, reunidos por Parsons, foram realizados por diversos pesquisadores, entre eles Chen e Hanmin (2004), Moller (1984), Karpova (1970), Hansen (2007), Lindstrom (1978), Graveau (1968) e Stephens (1969).

Parsons informa ainda que muitas pessoas relataram efeitos adversos após exposição ao infrassom, o que motivou uma série de artigos no The Sunday Mirror sobre os perigos dos ruídos de baixa frequência. Em resposta, o jornal recebeu mais de 700 cartas de leitores que descreveram, além dos efeitos já citados, alucinações visuais, sono perturbado, pesadelos e pensamentos suicidas. Estas exposições provocaram diversas teorias sobre a relação entre infrassons e atividades paranormais.

Experimentos obscuros em prol da iniquidade

As ondas abaixo de 20 Hz podem se concentrar facilmente em ambientes com pouca circulação de pessoas ou lugares abandonados. Por causa da longa propagação, sua origem pode estar distante: objetos eletrônicos ou mecânicos, ou até eventos naturais, como ventos e tremores.

Pesquisadores desenvolveram o ARIA (Acoustic Research Infrasound Array), um gerador de infrassons para experimentos controlados. Ele foi usado no Projeto “Haunt”, em 2009, cujos participantes relataram, após a exposição:

  • tontura e sentimentos estranhos (79,7%)
  • sensação de algo girando ao redor (49,4%)
  • formigamento (32,9%) e sensação de estar em outro lugar (32,9%)
  • vibrações no corpo (31,6%)
  • “som de tique-taque” (25,3%), possivelmente por alterações na pressão do ar causadas pela ressonância
  • sensação de presença de alguém próximo (22,8%) e de distanciamento do próprio corpo (22,8%)
  • tristeza (11,4%) e cheiros estranhos (10,1%)
  • medo e terror (8,9%) e excitação sexual (5,1%)

O infrassom em festivais e “frequências terapêuticas”

Coleman (2019), em publicação para a revista Forbes, mencionou festivais de música pelo mundo, como o A-Fest, o Global Dance Festival, o Electric Daisy Carnival e o Corona Electric Beach, que incluem experiências sonoras e psicodélicas, entre elas o infrassom, para elevar a multidão a um estado que chamam de êxtase musical. Estes ambientes alteram pensamentos e emoções com elementos visuais, auditivos e cinestésicos. Woodhead (2019), no The Age, relata que no Festival Internacional de Artes de Melbourne os espectadores expostos ao trabalho audiovisual de Chamber Made, com ondas de infrassom, tiveram sensações de um estado hipnotizante.

Como o infrassom é inaudível, todos nós, cristãos, temos que andar vigilantes às sutilezas do inimigo, que ataca de diversas formas para desestabilizar a nossa mente e desestruturar nossos alicerces em Cristo.

As batidas binaurais

Entre as atuações envolvendo a música, encontramos frequências sonoras que prometem paz interior, ganhos terapêuticos, relaxamento e melhor foco e concentração, como as batidas binaurais. Segundo Ruales (2017), elas combinam duas frequências relacionadas a estados de atividade cognitiva: com fones de ouvido, o lado esquerdo toca um som de 315 Hz e o direito, de 325 Hz, e o cérebro cria um terceiro som, de 10 Hz, resultado da diferença entre os dois.

Todo o foco vai para esta nova frequência, que “promete” benefícios terapêuticos, físicos e emocionais, agindo no subconsciente. Esta prática é muito encontrada na meditação transcendental, comum em religiões e filosofias não cristãs, divulgada com promessas de controlar a ansiedade e o estresse, reprogramar o subconsciente e melhorar a criatividade, o sono, a memória e a concentração.

Como lidar com as sutilezas da iniquidade

Gálatas 5:22-23 nos instrui a buscar as virtudes do fruto do Espírito: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança. Contudo, os experimentos com infrassom nas músicas produzem sentimentos contrários à Palavra, como medo, terror, depressão, pensamentos suicidas, êxtases e tristeza: uma arma silenciosa e eficaz do inimigo para a destruição.

Outro ponto importante é a meditação bíblica ativa. Precisamos manter a Palavra viva dentro de nós diariamente: “escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti” (Salmos 119:11). O salmista é dinâmico: busca o aprendizado e grava os ensinamentos da Palavra no coração e na mente para não se apartar dela. A meditação satânica, ao contrário, é passiva: o inimigo quer primeiro esvaziar a mente de todos os pensamentos, abrindo portas aos demônios para inserir os seus.

Deus nos ordena ter domínio próprio, a temperança de Gálatas 5:23, para controlar pensamentos e sentimentos. Se não controlarmos a nossa mente, Satanás o fará. Para Deus, importa dominar os pensamentos, e não esvaziar a mente, levando-os cativos à obediência a Cristo:

Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10:3-5).

O profeta Isaías descreve que o Senhor conserva “em paz aquele cuja mente está firme em ti” (Isaías 26:3). A paz que o mundo tanto procura não está em outra fonte, senão em Deus.

Olhando o sistema babilônico de forma mais ampla, notamos a quantidade de ferramentas configuradas para manipular a massa: rotinas que conduzem as pessoas a um ritmo frenético de atividades e obrigações, levando ao esgotamento físico, mental e, principalmente, espiritual. Depois de gerar este caos, o mesmo sistema oferece “soluções miraculosas” para os problemas do cotidiano, num ciclo infinito que gera total alienação espiritual. Veja também Jubal e a Origem da Música.

Perguntas frequentes sobre o infrassom

O que é infrassom?

São ondas sonoras abaixo de 20 Hz, inaudíveis ao ouvido humano, mas que podem ser sentidas no corpo e no sistema nervoso.

O infrassom faz mal à saúde?

Estudos reunidos por Parsons (2012) relatam dores de cabeça, fadiga, tontura, náusea, depressão e alterações cardíacas e respiratórias em pessoas expostas a certas frequências.

Batidas binaurais são seguras para o cristão?

Elas agem no subconsciente e são muito usadas na meditação transcendental, que propõe esvaziar a mente. A Bíblia orienta o contrário: encher a mente da Palavra e levar todo pensamento cativo a Cristo (2 Coríntios 10:5).

Uma mente firme no Senhor

O que não ouvimos também pode nos atingir. Você tem guardado a sua mente e enchido o seu coração com a Palavra, em vez de esvaziá-lo?

As informações deste artigo foram extraídas do livro “Prélio dos Cânticos – aos santos: santifiquem-se mais!”. Se você já adquiriu e foi edificado por este livro, incentivamos que compartilhe com outros ministros do altar. Para se aprofundar, leia também Jubal e a Origem da Música e Espírito de Leviatã no Louvor.

Se esse conteúdo foi edificante para você, incentivamos que compartilhe com os seus amigos e familiares. Vamos prosseguir no caminho do Evangelho Genuíno, conforme a doutrina dos apóstolos de Jesus Cristo.

Se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? (1 Co 14:8)

Sobre os autores

Ricardo e Evelin Maciel

Ricardo e Evelin Maciel são um casal dedicado ao ensino da Palavra e ao louvor, servindo ao Reino de Deus por meio de livros, estudos e do canal Vozes de Trombeta.

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